5ª Temporada,  Série

Livro vs Série – 5×04 – The Company We Keep

Minhas queridas Sassenachs, o quarto episódio dessa quinta temporada, “The Company We Keep”, trouxe uma boa dose dramática, um pouco de ação e confusão para nossos queridos personagens. Foi um episódio muito bem adaptado, com poucas mudanças significativas na linha narrativa original, as quais vamos discutir.

Talvez uma das principais alterações diga respeito ao nosso querido Roger Mac. A série mostrou Roger usando bebida e música para acalmar ânimos, além de entregar o homem que os Browns tanto queriam capturar. Jamie chega e questiona à atitude do genro, que causou algumas deserções na milícia. Já no livro, Roger esconde Morton o destruidor de corações, e usa a bebida e sua música para estabelecer certa paz, o que é uma atitude elogiada por Jamie. Essa é uma adaptação que particularmente me incomoda, pois só faz inflar ainda mais o ranço que público tem com o coitado do Roger. Mas também me deixam curiosa para ver como vão virar esse jogo, pois a virada está por vir, acreditem. Confiram alguns trechos que ilustram a atitude de Roger, assim como sua aceitação da parte de Jamie:

“E o que ele deveria dizer a eles? Morton era membro da milícia e, portanto – ele pensava –, tinha direito a proteção. Roger não poderia simplesmente entregá-lo aos Browns, independentemente do que ele tivesse feito – sempre pensando que ele poderia ser pego. Por outro lado, Roger tinha sido encarregado de convocar os Browns e o restante dos homens capacitados de Brownsville, além de obter deles mantimentos suficientes para manter a milícia por pelo menos uma semana; não parecia que essa sugestão seria bem recebida naquele momento.
Ele tinha certeza de que Jamie Fraser saberia como resolver aquela crise diplomática da melhor maneira. Ele, pessoalmente, não tinha ideia do que fazer.
Pelo menos tinha uma tática para ganhar tempo. Suspirando, abaixou a pistola e pegou a bolsa em sua cintura.
– Henry, pegue o uísque no alforje. E, sr. Brown, talvez o senhor permita que eu compre um pouco de comida e um barril de cerveja, para os meus homens.
E, com sorte, quando a bebida acabasse, Jamie Fraser já teria chegado.
[…]
– O que houve, então? – perguntou Jamie, e pigarreou. Na minha ansiedade para alimentar o bebê, eu não havia parado para considerar o que a presença de Fergus significava. Jamie estava certo, no entanto; simples preocupação com o nosso bemestar não o teria levado até a estrada com aquele clima.
– Ah. Parece que temos um pequeno problema, milorde. – Ele descreveu os acontecimentos da tarde anterior e concluiu, dando de ombros e bufando de irritação.
–… E então monsieur Morton tem se refugiado com os cavalos – ele assentiu, meneando a cabeça na direção do abrigo improvisado –, enquanto o restante de nós está aproveitando a hospitalité de Brownsville.
Jamie assumiu um ar de severidade ao ouvir isso; sem dúvida pensando em quanto a hospitalité para quarenta e poucos homens poderia custar.
– Humf. Imagino que os Browns não saibam que Morton está lá.
Fergus balançou a cabeça.
[…]
E por que os Browns não seguiram Morton? – perguntou Jamie, aparentemente seguindo sua própria linha de raciocínio. – Se um inimigo entra em suas terras, onde você está com seus parentes, você não o deixa fugir; você vai atrás dele e o mata.
Fergus assentiu, claramente familiarizado com essa lógica escocesa.
– Acredito que fosse essa a intenção – disse ele. – Eles foram distraídos, no entanto, por petit Roger.
Percebi um tom de diversão na voz dele; Jamie também percebeu.
– O que ele fez? – perguntou ele, preocupado.
– Cantou para eles – respondeu Fergus, e o tom de diversão se tornou mais pronunciado. – Ele cantou a maior parte da noite e tocou seu tambor. O vilarejo todo veio ouvir. Há seis homens em idade adequada para a milícia e… – acrescentou ele, de modo prático – as duas mulheres avec lait, como eu disse, milady.
Jamie tossiu, passou uma mão embaixo do nariz e assentiu para Fergus, com um aceno para mim.
[…]
Nossa chegada com a bebê causou sensação suficiente para distrair todos em Brownsville de suas preocupações, fossem elas práticas ou homicidas. Uma expressão de alívio intenso tomou o rosto de Roger ao ver Jamie, apesar de ter sido instantaneamente reprimida, substituída por uma atitude tranquila, de ombros endireitados e autoconfiança. Eu abaixei a cabeça para esconder um sorriso e olhei para Jamie, perguntando-me se ele teria notado a rápida transformação. Ele evitou meu olhar, indicando que sim, tinha notado.
– Você se saiu bem – disse ele de modo casual, dando tapinhas no ombro de Roger em um cumprimento antes de se virar para receber as saudações dos outros homens e ser apresentado aos nossos anfitriões involuntários.
Roger apenas assentiu de maneira despretensiosa, mas seu rosto ganhou brilho, como se alguém tivesse acendido uma vela dentro dele.

Outra mudança, Jamie decide enviar Claire para casa para cuidar dos gêmeos Beardsley, tendo Roger como escolta, o que parece ser uma pequena punição para nosso acadêmico. No livro, enquanto está em Brownsville, Jamie recebe um comunicado que a milícia foi dispensada, ao menos nesse primeiro momento. Então, nesse ponto, todos se preparam para retornar para casa. Mas e batalha que vemos nos vídeos promocionais? Ela existe no livro, apenas um pouco mais à frente. Vamos esperar para ver como tudo será desenvolvido a partir daqui na série. Confira o trecho que Jamie dá a notícia da dispensa à Claire:

– Como estão as coisas, Sassenach? – perguntou ele com a voz rouca e, sem esperar que eu respondesse, pegou a colher da minha mão, passou um braço tenso e frio ao redor do meu corpo e me puxou para um beijo intenso, ainda mais surpreendente pelo fato de sua barba rala estar coberta de neve.
Ao emergir levemente atordoada desse abraço estimulante, percebi que a atitude geral dos homens na sala era parecida, alegre. Eles estavam dando tapinhas nas costas uns dos outros, batendo as botas e chacoalhando os casacos acompanhados pelas palavras e sons que os homens emitem quando estão particularmente animados.
– O que foi? – perguntei, olhando ao redor, surpresa. Joseph Wemyss se achava no meio da multidão. A ponta de seu nariz estava vermelha de frio, e ele estava quase sendo derrubado por homens que davam tapas em suas costas, parabenizando-o. – O que aconteceu?
Jamie abriu um sorriso iluminado para mim, os dentes brilhando em seu rosto, e colocou um papel amassado e úmido na minha mão, os restos de cera vermelha ainda presos a ele.
A tinta havia escorrido com a umidade, mas eu consegui ler as palavras mais importantes. Ao ficarem sabendo da aproximação do general Waddell, os reguladores tinham decidido que a prudência era preferível à valentia. Eles haviam se dispersado. E de acordo com aquela ordem do governador Tryon, a milícia tinha sido dispensada.
– Ah, que bom! – falei. E, abraçando Jamie, eu o beijei, sem me importar com a neve e o gelo.

Sobre a pequena bebê que nosso casal levou para Brownsville, a trama foi bem adaptada, com uma pequena mudança, que dando um maior apelo emocional para os Browns adotarem a menina, com uma mãe que tinha perdido seu bebê e um buraco no coração para preencher. No livro, a pequena é muito bem recebida por eles, mas há um interesse financeiro por trás, pois ela é a herdeira de todos os bens do falecido sr. Beardsley, que seriam administrados pelos guardiões da criança até ela chegar a maior idade, garantindo que ela seria bem cuidada e tratada como um membro da família. Jamie também faz a proposta da adoção no livro, e a resposta de Claire é similar, ela apenas não menciona a questão o obituário. Confira o trecho da conversa entre nosso casal, que reflete as preocupações de Claire, algumas questões legais, além de um momento lindo do nosso casal:

– Eu vi você com a criança, Sassenach. Você é sempre muito carinhosa, mas quando a vi daquele jeito, com a bebê embaixo da sua capa, eu… eu me lembrei de como foi, de quando você segurou Faith.
Parei de respirar. Ouvi-lo dizer o nome da nossa primeira filha daquele jeito, de forma tão prosaica, foi surpreendente. Falávamos pouco sobre ela: sua morte acontecera tanto tempo antes que às vezes parecia irreal, mas a ferida de sua perda nos marcara profundamente.
Faith, porém, não era nada irreal.
Ela estava perto de mim sempre que eu tocava um bebê. E aquela bebê, aquela órfã sem nome, tão pequena e frágil, com a pele tão clara que as veias azuis ficavam visíveis – sim, as semelhanças com Faith eram fortes. Ainda assim, ela não era minha filha. Mas poderia ser, e era isso que Jamie estava dizendo.
Seria ela um presente para nós? Ou pelo menos nossa responsabilidade?
– Você acha que devemos ficar com ela? – perguntei com cuidado. – Quero dizer… o que será que vai acontecer com ela se não a levarmos conosco?
Jamie resmungou, abaixando o braço, e se recostou na parede da casa. Secou o nariz e inclinou a cabeça em direção ao burburinho que atravessava a pilha de lenha.
– Ela vai ser bem cuidada, Sassenach. Vai se tornar uma herdeira, sabe?
Esse aspecto da questão não havia me ocorrido. […]
– Então, veja – continuou ele com seriedade –, ela não corre risco de ser negligenciada. Um juizado de órfãos pode dar a propriedade dos Beardsleys, com as cabras e tudo – acrescentou ele, com um leve sorriso –, a quem for o guardião dela, para ser usada a fim de garantir seu bem-estar.
– E o dos guardiões dela – falei, repentinamente me lembrando do olhar que Richard Brown havia trocado com o irmão ao contar à esposa que a criança seria “bem cuidada”. Esfreguei o nariz, que tinha ficado dormente na ponta. – Então, os Browns a aceitariam de bom grado.
– Ah, sim – concordou ele. – Eles conhecem Beardsley; sabem muito bem como ela é valiosa. Seria um assunto delicado tirá-la deles, na verdade… Mas, se você quiser a menina, Sassenach, vamos ficar com ela. Prometo isso. […]
– Mais uma pergunta – falei. Segurei a mão dele e a abaixei, com os dedos entrelaçados nos meus. – O pai da bebê não era branco. O que isso poderia significar para ela? […]
– Acho que vai ficar tudo bem – disse ele, por fim. – Não existe possibilidade de ela ser levada como escrava. Ainda que pudesse ser provado que o pai dela era escravo, e não há nenhuma prova, uma criança herda o status da mãe. Uma criança nascida de uma mulher livre é livre; uma criança nascida de uma escrava é escrava. E independentemente do que aquela mulher seja, ela não era escrava.
– Não no nome, pelo menos – falei, pensando nas marcas na porta. – Mas além da questão da escravidão…?
Ele suspirou e se endireitou.
– Acho que não – disse ele. – Não aqui. Em Charleston, sim, provavelmente importaria; pelo menos se ela estivesse na sociedade. Mas no interior?
Ele deu de ombros. Era verdade: por causa da nossa proximidade com a Linha do Tratado, havia muitas crianças mestiças. Não era incomum que os colonos se casassem com índias cherokees. Era bem mais raro ver crianças nascidas de uma mistura de negro e branco no interior, mas isso acontecia muito nas áreas costeiras. A maioria delas escravas – mas acontecia, de qualquer modo.
E a pequena srta. Beardsley não estaria “na sociedade”, pelo menos, não se a deixássemos com os Browns. Ali, sua possível riqueza importaria muito mais do que a cor da pele. Conosco, podia ser diferente, pois Jamie era – e sempre seria, apesar de sua renda ou falta de renda – um fidalgo.
– Essa não era a última pergunta, no fim das contas – falei. Coloquei a mão sobre a dele, fria em meu rosto. – A última é… por que você está sugerindo isso?
– Ah, bem, só pensei… – Ele abaixou a mão e desviou o olhar. – No que você disse quando voltamos para casa depois da Reunião. Que você poderia ter escolhido a segurança da esterilidade, mas não escolheu, por mim. Eu pensei…
Ele parou de novo e esfregou os nós dos dedos da mão esquerda na ponte do nariz. Respirou fundo e tentou de novo.
– Por mim – disse ele firmemente, dirigindo-se ao ar à frente dele como se fosse um tribunal –, eu não queria que você tivesse outro filho. Eu não correria o risco de perder você, Sassenach – disse ele, a voz rouca de repente. – Nem por uma dúzia de filhos. Tenho filhas e filhos, sobrinhos e sobrinhas, netos… é o bastante.
Ele olhou diretamente para mim então e disse baixinho:
– Eu não sei viver sem você, Claire.
Ele engoliu em seco e continuou, com os olhos fixos nos meus.
– Mas pensei… se quiser outro filho… talvez eu ainda possa lhe dar um.
Lágrimas breves marejaram meus olhos. Estava frio ali, e nossos dedos estavam enrijecidos. Enfiei a mão na dele, apertando-a com força.
Ao mesmo tempo que falávamos, minha mente estava ocupada, imaginando possibilidades, dificuldades, bênçãos. Eu não precisava pensar mais, pois sabia que a decisão já tinha sido tomada. Um filho era uma tentação da carne e também do espírito; eu conhecia a felicidade daquela unicidade sem limites, assim como conhecia a alegria agridoce de ver essa unicidade se desfazer conforme a criança aprendia a se virar sozinha.
Mas eu havia cruzado uma linha tênue. Fosse porque eu tinha nascido com algum limite secreto incorporado na minha carne, fosse apenas porque eu sabia que a minha única lealdade devia estar em outro lugar agora… eu sabia. Como mãe, eu tinha já a leveza do esforço completo, da honra satisfeita. Missão cumprida.
Inclinei a testa contra o peito dele e falei contra o pano da camisa acima do seu coração.
– Não – falei baixinho. – Mas Jamie… eu amo muito você.

Por fim, temos a sequência de Brianna, que vem sendo assombrada pelo fantasma de Bonnet, temendo que o pirata apareça a qualquer momento. Existe uma sequência no livro similar a cena da moeda, que dá a ideia de que Bonnet pode estar à espreita, mas ela ocorre muito à frente (não vou mencionar a cena ou quando, pois pode conter spoilers). Vale lembrar que Bree sempre soube que Bonnet estava vivo na história original, mas nesse ponto do livro, quando os pais e Roger estão ausentes com a milícia, é quando ela descobre que o pai está em busca de informações do pirata, encontrando uma carta de Lord John a respeito. A carta é extensa, mas descreve o duelo que vimos no final do segundo episódio. Fica aqui o trecho apenas com a reação de Brianna à carta, que é bem extensa:

Uma das folhas, uma carta, ainda tinha os restos de um selo preso a ela. Brianna viu a impressão de uma meia-lua sorridente e se deteve. Era o selo de lorde John Grey. Devia ser a carta que ele enviara em setembro, na qual descrevia suas aventuras caçando alces no Pântano Sombrio. Seu pai a havia lido para a família várias vezes – Lorde John era um correspondente bem-humorado, e a caça ao veado tinha sido tomada pelo tipo de problemas que sem dúvida eram desconfortáveis, mas que tornavam o relato muito pitoresco.
Sorrindo ao se lembrar, ela abriu a carta com o polegar, ansiosa para ler a história de novo, mas descobriu que estava diante de algo totalmente diferente.
[…]
Muito lentamente, Brianna voltou a se sentar na cadeira. Colocou as mãos de maneira delicada mas firme sobre as orelhas do filho e disse um palavrão bem feio.

Finalizamos aqui o nosso livro vs série dessa semana. E você Sasse, gostou do episódio? Faria algo diferente? Deixe seu comentário!

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One Comment

  • Laura Jenny

    Foi um episódio lindo. Obrigada por pontuar as semelhanças/diferenças com o livro. Minha única observação é que tenho a sensação que Brianna da série é mais frágil que a do livro. Ela, volta e meia, está com aquele olhar angustiante e assustado. No livro ela briga, pragueja, demonstra raiva, não medo… Sempre a imaginei com Jenny, que não fica se lastimando, mas respira fundo e encara o problema.

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