Caitriona Balfe,  Entrevista,  Série

Entrevista com a figurinista de Outlander Terry Dresbach sobre a indicação ao Emmy

Por Lynette Rice | 12 de julho de 2018

A figurinista Terry Dresbach teve sua 2ª indicação ao Emmy na última quinta-feira (12) por seu trabalho em Outlander (episódio 3×05 “Freedom & Whisky“). Mas, o reconhecimento tem seu lado bom e ruim. Como nos anos anteriores, o viciante drama da Starz foi ignorado nas principais categorias, como a de atriz protagonista por exemplo (o que Caitriona Balfe tem que fazer, Academia?).

O site Entertainment Weekly conversouou com a Terry sobre a indicação e o que ela mais se lembra do processo de criação dos figurinos da 3ª temporada da série. 

EW: Parabéns pela merecida indicação. Se sente um pouco solitária?
Terry Dresbach: Sim, me sinto. Mas, o Emmy trabalha de maneiras misteriosas, como todos nós sabemos.

EW: Eu fico me perguntando se você já está acostumada a esses descasos, sendo casada com Ronald D. Moore que foi claramente ignorado em Battlestar Galactica antes mesmo de produzir Outlander.
Terry Dresbach: Tentar entender o porquê disso e daquilo, simplesmente não dá. Você recebe os elogios onde é reconhecido e fica grato por isso. O Ron é um profissional no assunto. Battlestar Galactica certamente foi uma importante obra da televisão e todo mundo sabe disso, mas ele nunca ganhou nada por isso.  Você olha a sua volta e depois para a empresa em que está quando não vence. Está tudo bem! De verdade. Não dá para chegar lá. Não perdemos nada.

EW: Agora você tem algum panorama geral dos figurinos da 3ª temporada com os da 4ª, já que acabou de concluir os trabalhos. O quão desafiador foi esse ano?
Terry Dresbach: A 3ª temporada foi projetada para ser bastante modesta. Foi um período de transição tanto na série quanto nos bastidores porque estávamos indo para a África do Sul, transferimos tudo para um país diferente, e sem contar a manutenção disso e os desafios de filmar no navio. Nós sabíamos que a 4ª temporada estava chegando e que seria uma enorme proposta de design, como a 2ª temporada tinha sido. Nós realmente projetamos a 3ª temporada para ser muito pequena e, no entanto, quando tudo acabou, Caitriona Balfe (Claire Fraser) tinha tantos figurinos na 3ª como teve na 2ª temporada! A maioria deles foi no século 20, em oposição aos grandes trajes franceses do século 18. Mas a carga de trabalho nunca é pequena em Outlander. Continuamos a pensar que faríamos uma pequena temporada e nunca, nunca foi assim. Foi tão grande e enorme quanto todo o resto. A 4ª temporada é ainda maior. É uma temporada fascinante. Em termos de figurino, fizemos dois séculos e quatro décadas.

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Figurinos do episódio 3×05 “Freedom &Whisky”

Veja também: Outlander: A história por trás da Bat-Roupa da Claire

EW: Parece que você passou muito tempo nas mídias sociais defendendo as escolhas que fez para a 3ª temporada. Dessa vez foi mais do que nos anos anteriores?
Terry Dresbach: Eu acho que sim. Nós meio que fomos contra a corrente em não termos um grande desfile de figurinos na 3ª temporada. Não foi tanto defender, mas tentar fazer com que as pessoas entendessem qual é o objetivo do figurino, que é servir a história. Na 2ª temporada, por exemplo, onde estávamos em Paris e eles adquiriram todos esses grandiosos e exagerados trajes, foi meio que… eh, não fiquem tão confortáveis aqui porque a série nem sempre será assim! Então, quando a 3ª temporada chegou e Caitriona está usando a mesma roupa várias vezes, as pessoas ficaram tipo: “Espera um pouco! Onde está o nosso Outlander de antes? Onde estão os grandes figurinos?” A história não pede por isso! É uma série interessante assim. A 4ª temporada terá uma pegada completamente diferente, mas nunca será previsível. Ninguém questiona quantos figurinos os atores principais têm. Mas espera-se que as atrizes sejam uma porta giratória de trajes incríveis e exagerados. Nós não fizemos isso na 3ª temporada, de propósito, porque a história não nos pedia.

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EW: O que foi ótimo na temporada é o quanto aprendemos com você em termos de como todos mantêm suas roupas por anos e anos.
Terry Dresbach: Sim. Mais uma vez, você está indo contra o que é esperado historicamente. Se você assistir E o vento levou, as pessoas sempre trocavam de roupa toda vez que apareciam em cena. Essa série sempre foi dedicada à ideia de que será historicamente precisa. A verdade é que as pessoas simplesmente não tinham tantas roupas e o que eles faziam era retrabalhar, refazer, consertar e remendar. Eu apenas pensei que era uma coisa realmente gloriosa e bonita de se ver nas câmeras. Pessoas repetindo coisas ao longo de 20 anos. Você vê o retalho, o remendo, é uma história tão rica e incrível ali. Eu me lembro de quando comecei a série, alguém trouxe um casaco real do século 18 que pertencia a uma pessoa incrivelmente rica. Quando você abria o interior da roupa, era tudo uma colcha de retalhos, porque mesmo os ricos mantinham suas roupas por toda a vida. É uma chance de ver a história com mais detalhes do que costumamos fazer nas telas. Todas essas coisas desafiam as suposições das pessoas. Quando você faz isso, tem que esperar receber um pouco de crítica, e está tudo bem. Essa é a oportunidade de conversar sobre o assunto.

EW: Qual seu figurino preferido da 3ª temporada?
Terry Dresbach: Eu realmente adorei muito os figurinos dos anos 60. Eu basicamente re criei meu próprio guarda-roupa de quando era criança para a Brianna. Então, isso foi divertido para mim. Além dos trajes da minha mãe, do amigo dela e do meu pai. Foi muito pessoal. Fiquei surpresa com isso. Eu aprendi a gostar da Bat-Roupa (traje de viagem no tempo de Claire), não gostava de início. Conforme íamos desintegrando as camadas em frente às câmeras, esse figurino acabou tornando-se um personagem por si só.

EW: Por que você não gostava?
Terry Dresbach: Não é o figurino mais bonito do mundo. Não era para ser. Foi um desafio para mim como designer, projetar algo que não parecia tão incrível. Antes de chamá-lo de Bat-Roupa, eu chamei de “a roupa do Exército da Salvação”. É um pouco apagado, um pouco triste e não muito romântico. É o que eu queria que fosse. Eu queria que ela parecesse um pouco tensa e insegura, uma mulher que não fazia muito sexo ultimamente. Foi intencionalmente feito para não ser bonito e, depois, revelar-se ao longo do tempo, enquanto ela se reconecta com Jamie. Tornou-se um figurino incrivelmente romântico e até esteve na capa da Entertainment Weekly (veja abaixo). No final vemos desintegrar-se em nada. É algo interessante quando um figurino pode desafiá-lo como profissional.

Fonte: EW

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